O quadro comparativo
| Conselho Consultivo | Conselho Administrativo | Executivo Fracionado | |
|---|---|---|---|
| Poder de decisão | Não — recomenda | Sim — formalizado em estatuto | Sim — em sua área de atuação |
| Foco | Visão estratégica de longo prazo | Controle societário e fiduciário | Função C-Level ativa |
| Cadência | Mensal ou bimestral | Mensal ou bimestral, em ata | Semanal a mensal |
| Composição típica | 2-3 conselheiros independentes | 3-7 membros, parte societária | 1 executivo por área |
| Custo típico (PME) | R$ 6 a 45 mil/mês | R$ 15 a 60 mil/mês | R$ 8 a 35 mil/mês |
| Obrigação legal | Não | Em S.A. de capital aberto, sim | Não — contrato de PJ |
| Quando faz sentido | PME em platô, busca governança | Sociedade complexa, captação | Falta capacidade C-Level imediata |
Como decidir entre os três
Cenário 1: O dono é o gargalo das decisões estratégicas
Sintoma: o time executivo existe, mas o dono ainda decide tudo o que é estratégico. As decisões são intuitivas, sem pauta, sem registro. Solução: Conselho Consultivo. Traz o ritual de pauta + provocação qualificada para o dono. Não tira poder dele — instala disciplina ao redor dele.
Cenário 2: A empresa tem sócios externos ou está em captação
Sintoma: a sociedade é complexa, há investidores não-executivos, ou a empresa está negociando captação. Há necessidade de governança formal. Solução: Conselho Administrativo. Decisão fiduciária com peso jurídico, registrada em estatuto, com mandato e responsabilização legal.
Cenário 3: Falta uma capacidade C-Level específica
Sintoma: a empresa está crescendo, mas falta CFO de fato (não basta o financeiro/contador), ou COO, ou CRO. Não há gente, não há tempo, não há orçamento para full-time. Solução: Executivo Fracionado. Capacidade executiva real, não consultiva, em uma área específica.
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Conversar →Os erros mais comuns ao escolher
Erro 1: Contratar conselho consultivo quando o problema é executivo
O dono percebe que precisa de "alguém de fora", monta conselho consultivo. Resultado: as recomendações são boas, mas ninguém executa porque o time interno está sobrecarregado. Conselho recomenda. Não executa. Se a empresa precisa de execução, o caminho é Executivo Fracionado.
Erro 2: Tratar conselheiro como consultor caro
Conselho consultivo virou modinha. Muito empresário contrata 3 conselheiros e usa cada um como consultor de hora — pergunta avulsa, problema pontual. Conselho não é help desk. O valor está na pauta estruturada e na cobrança recorrente. Sem isso, é dinheiro jogado fora.
Erro 3: Adotar conselho administrativo cedo demais
Empresário lê sobre governança, contrata 5 conselheiros administrativos com mandato formal. Em 6 meses, reuniões viram teatro porque a empresa não tem o porte que justifica esse aparato. Conselho administrativo só faz sentido com complexidade societária real ou exigência regulatória.
Os modelos podem coexistir?
Sim — e em PME madura, frequentemente coexistem:
- Conselho consultivo + Executivo Fracionado: conselho dá direção, fracionado executa. Combinação saudável.
- Conselho administrativo + Executivo Fracionado: em empresa pós-captação, governança formal + capacidade C-Level.
- Conselho consultivo + Conselho administrativo: raríssimo em PME. Geralmente é um ou outro.